domingo, 27 de maio de 2012

Caros atores, ...


Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E alem disso se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor
É, meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar um novo amor

...conseguimos. Uma peça com final feliz.
Foto by Karen Bassetti.

sábado, 26 de maio de 2012

Fortuna Crítica 37

NÚCLEO DE TEATRO ESTRÉIA A MEGERA DOMADA

Estréia hoje, às 20h, a peça de teatro A Megera Domada, do Núcleo de Vivência Teatral de Iracemápolis. O trabalho conta com 20 pessoas no elenco, com idade entre 10 e 15 anos, e é baseado na obra do inglês William Shakespeare.

"Produzimos a peça no período de um ano, com ensaios toda semana", conta a atriz Mariane Martins, 12 anos, que integra o elenco. Na peça, ela interpreta Catharina, um dos personagens principais. "Nós juntamos o texto de Shakespeare com a música, o estilo e as roupas da Jovem Guarda", contou.

O trabalho será apresentado no CEAC em dois dias: hoje e amanhã. Os ingressos estão esgotados, o que garante casa cheia. Segundo o coordenador de cultura da Prefeitura Deivid Teixeira, quem for assistir a peça deve gostar bastante. "O pessoal mais velho ainda poderá se divertir procurando trechos de músicas dos anos 60 nas falas das personagens", disse.

A peça tem adaptação de texto e direção de palco de Daniel Martins, e é uma realização da Prefeitura, por meio do setor de Cultura.

FONTE: Núcleo de Teatro estréia "A Megera Domada". In: Gazeta de Iracemápolis. Iracemápolis, 25 de maio de 2012. Ano 9. No. 289. p. 08.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Brotos, Chapas e Tremendões

Hoje estréia A Megera Domada, com os atores do Núcleo de Vivência Teatral. Uma releitura bastante divertida que reconta a comédia de Shakespeare ao ritmo da Jovem Guarda. Foi a peça que mais ensaiei em toda a minha vida. Foram, ao todo, três diferentes tentativas de montagem e mais de um ano de preparação. Ainda assim, apesar de toda a vivência e intimidade com o projeto, fica a sensação de que poderia ter ensaiado um pouco mais. A vontade ou neura de que deveria ter trabalhado um pouco mais cada cena. Sinal de que estou ficando exigente, perfeccionista ou louco.

Não poderia deixar de agradecer aqui a Deivid Teixeira, Eliana Carvalho, Rose Sathler, Allan Piter, José Carlos Pereira e a todos os meus queridos atores. Um agradecimento especial para Matheus Barreto e Amanda Azevedo, que hoje estarão pela primeira vez vivendo essa aventura nos bastidores, sofrendo junto comigo, na luz e no som. Obrigadão pela força. (Espero não ter me esquecido de ninguém).

É uma brasa, mora?

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Moacir e o Mundo das Drogas

É verdade, pessoal. Nós fizemos uma peça educativa. Com mensagem estampada, mastigada e politicamente correta. Tudo aquilo que eu sempre evitei – produção acelerada, poucos ensaios, temas óbvios e escancarados, tom professoral, visão maniqueísta, etc etc – entrou nesse trabalho, sem pudores. E quer saber de uma coisa? Foi legal pra caramba.

Eu e alguns atores da Sarcástica – Pri, Sofia, Ste, Carinho, May, Bina e o nosso jovem reforço Luís – topamos a difícil (não tãaaao difícil) missão de criar uma curta cena sobre drogas (era pra ter bulliyng também, mas não nos empenhamos muito nessa parte) para a abertura de uma palestra ministrada num colégio de Limeira.

Ensaiamos umas três ou quatro vezes. O último ensaio nem teve o Luís (ator principal), o que me lembra de nossos últimos ensaios de A Vida é Sonho (né, Du Bassetti?). Tudo correu bem e finalmente chegou o dia de nossa apresentação. A Sofia, responsável pelos nossos objetos de cena, trouxe uma seringa rosa e uns pacotinhos enrolados (pareciam balas ou então bombinhas de festa junina) para fazer o papel das drogas. Aí você me pergunta: que droga vem enrolada num papel de bala e depois é injetada com uma seringa rosa na veia? Vai saber...

Como o Luís faltou, ensaiamos sem ele. A Pri fez o papel do drogado Moacir – personagem querido por todos –, a Sofia era a mãe-muda que ficava a peça inteira lendo uma carta (Sofia? Muda? Sim, foi de propósito...), a Carinho fazia a namorada do Felipe (Felipe era o Luís), a Mayara a médica, a Bina fazia a luz (que luz?) e a Ste era a elegante mulher que vendia drogas para os meninos indefesos do bairro. Cada personagem escolhido de acordo com o perfil dos atores.

Olha pra frente, Daniel.

Pouco antes de começar o ensaio, a primeira grande surpresa do dia: "Que horas vai chegar o ônibus?", perguntou um; "A Van vai deixar a gente em casa?", questionou outro. Achei que estava na hora de dizer a verdade: "Pessoal", falei, "A Van na verdade é um Uno Prata." Sim, um Uno prata. O meu carro. Eles tentaram, mas não conseguiram esconder a cara de decepção. Como colocar seis atores, um iluminador e mais um diretor dentro de um carro? Alguns pensaram em desistir, mas já era tarde demais.

O tempo passava e, enquanto o ator principal não chegava (básico), ficamos todos trancafiados em minha sala conversando sobre aulas de direção, religião e o namoro da Bina. Na verdade, todos estavam tensos e nervosos porque a comida ainda não tinha chegado. Carinho se recusou a ensaiar se a refeição não aparecesse. Tentei convencer os meus atores de que a comida era apenas um detalhe daquela grande aventura; e que, quanto maior a fome, mais saboroso seria o alimento depois. Ninguém deu bola pra mim.

A May já começava a passar mal e a Ste estava praticamente desnutrida quando... ouvimos passos no corredor. A porta de abriu! A COMIDA?? Não. O Luís. Beleza, já temos um ator principal. Deixamos o Luís decorando o texto e continuamos nosso papo animado. As esperanças estavam quase se esgotando quando nosso rango chegou. E estava bom demais. Minha teoria estava certa. Ok, todos de barriga cheia e devidamente ensaiados. Hora de encarar nosso destino.

Ch-ch-ch-ch Cherry Bomb!!!

A aventura prosseguia. Todos muito animados. Conforme nos aproximávamos do local de apresentação, percebi que a coragem de meu elenco fraquejou por alguns instantes. Tá, eu admito, não era o lugar mais acolhedor do mundo, mas tinha lá suas qualidades. Chegamos até a ver uma garota sentada na calçada com um notebook do Corinthians (é sério). Estacionei num local que considerei seguro e começamos a preparar o desembarque. Por um segundo, Pri quase teve um ataque fulminante do coração com uma estranha criatura que apareceu na janela, mas era só a Sofia. Pegadinha.

Fomos muito bem recepcionados no portão da escola por um curioso grupo de jovens que aguardava ansioso a apresentação da nossa trupe. Uma garota deu um grito bravo na direção da Bina, mas quando percebeu que se tratava de um membro da Sarcástica, permitiu a nossa entrada. Todos nós fomos conduzidos até o palco.

A alegria contagiante do elenco.

Minutos depois, já no camarim, fizemos uma última passagem do espetáculo. Achei que era uma boa hora para gravar o CD com a trilha da peça. Nosso grande Luís tirava suas dúvidas com o texto e a Bina se concentrava nos blecautes e focos de cada cena. O ensaio correu tranquilo e foi interrompido uma única vez por uma tiazinha estranha que invadiu nossa sala perguntando porque entramos pelo portão X e não pelo portão Y. Algo assim. Ela foi embora depois de dar um sorriso esquisito. Não entendi.

Chegou o momento que todos esperavam. Os atores, com seus figurinos e adereços, agora organizavam o palco para o espetáculo que se aproximava. A noite prometia. Pedi para que o rapaz da organização anunciasse ao público uma informação importante: os atores não utilizariam microfone e, portanto, a platéia deveria fazer silêncio para poder ouvi-los. O rapaz me olhou meio incrédulo. Meia dúzia de moleques falando sem microfone, numa quadra aberta, para uma multidão de 59845985 pessoas? Ele fez uma cara de "não vai dar certo", ou algo parecido...

No camarim.

Quando a peça começou, por um momento, cheguei a pensar que o rapaz estava certo. A platéia estava cheia de trutas falantes, meninos risonhos e figurões engraçadinhos. O povo não calava a boca. Mas bastaram apenas dois minutos de cena para conquistarmos o silêncio do público. Nem precisou gritar tanto. Todos riram com o Luís cantando. Ste incorporou a vilã. Moacir arrasou. Sofia e May não ficaram pra trás e Carinho desafiou as leis da inércia quando, ao tomar um empurrão na testa, tombou pra frente (se tombasse pra trás caía do palco). No momento mais bizarro da noite, durante a apresentação, uma luz estranha acendeu na cara do público que começou a reclamar. Calma, não foi a Bina. Não foi mesmo, estou de prova. Ninguém sabe quem foi.

No fim deu tudo certo. Fomos aplaudidos e todos ficaram bastante satisfeitos com o trabalho. Como estava ficando tarde, saímos antes de começar a palestra. Com a tranquilidade que Deus me deu, e dentro dos limites de velocidade, conduzi meu carro prudentemente no caminho de volta e deixei todos em suas respectivas casas. A Ste parou em uma casa cinza, a Sofia numa casa vermelha e a Mayara numa casa verde (Verde? Onde?). Por fim, a Pri – que mora no mesmo maravilhoso condomínio que eu – ainda deu uma passadinha lá em casa para matar as saudades do nobre Dudu, que lá nos aguardava, ansioso, esperando o relatório completo de nossa aventura.

Brincadeiras à parte, foi muito bacana. Fazer o trivial, às vezes, tem seus méritos. Se não pelo trabalho, quem sabe pela experiência. Espero que essa experiência se repita mais vezes.


sexta-feira, 18 de maio de 2012

terça-feira, 15 de maio de 2012

Agenda


Núcleo de Vivência Teatral apresenta A Megera Domada, de William Shakespeare. Direção de Daniel Martins. Dias 25 e 26 de maio, às 20h. No CEAC Jane Cosenza (Centro Cultural de Iracemápolis). Realização: Prefeitura de Iracemápolis / Departamento de Cultura. Classificação Indicativa: 12 anos.

ENTRADA FRANCA. Retirar convites no CEAC, a partir de hoje, das 13h às 17h. Lugares Limitados.

sábado, 12 de maio de 2012

Boal

Uma das pérolas que Augusto Boal nos deixou, o 200 Jogos – este livro já teve diversos nomes e tamanhos (a edição que acabo de filar da amiga Ana Rocha chama-se 200 Exercícios e Jogos para o Ator e o Não-Ator com Vontade de Dizer Algo através do Teatro) – parece ter caído como uma luva nesta tarde.

Hoje, os já nem tão pequenos atores da Sarcástica Companhia e os jovens bailarinos da Limeira Cia. de Dança promoveram seu primeiro encontro criativo, regado de importantes trocas, vivências, experiências, risadas e, claro, jogos.

Não há como negar que toda a nossa atividade teatral se principia na prática de jogos. E na vontade de participar dos mesmos. Desde tempos imemoriais. O mais legal na leitura de Boal em si não são os jogos – que, como em toda a obra do gênero (veja Viola Spolin, por exemplo), soam datados, distantes e, às vezes, ilegíveis. De difícil aplicação. Não. O mais interessante na leitura de Boal, como sempre, é o referencial teórico que o autor usa por trás de sua ideologia marcada.

Em O Teatro do Oprimido, lido ainda na Graduação em Artes Cênicas, o encenador inaugura toda a sua linha de raciocínio com Aristóteles, optando por desconstruir (e reconstruir) a Poética, bem como tudo o que aprendemos sobre ela. Agora, em 200 Jogos, ele compartilha com o leitor do repertório exaustivo que construiu durante seus dias como diretor artístico do Arena, entre meados da década de 50 e início dos anos 70, mostrando que jogar é a essência do fazer teatral, nascida quando as artes dramáticas ainda não estavam confinadas entre muros de pedra (o teatro feito apenas dentro dos teatros) e nem havia, portanto, a divisão entre atores e espectadores.

De fato, e falo com alguma autoridade, a mera leitura de um jogo teatral não justifica a sua aplicação em sala de aula (jamais consegui aplicar um jogo que não tivesse sido criado durante as aulas). Um jogo serve essencialmente para resolver um problema, específico ou generalizado. Ele nasce da necessidade de superar uma etapa. Ainda assim, se não como catálogo de dinâmicas direcionadas, a leitura de 200 Jogos vale como estímulo para a construção (ou reconstrução) de uma didática teatral.

Quando me encontrei com Boal, lá pelo início dos anos 2000, após assistir o seu Sambópera Carmen, poderia ter esboçado timidamente algumas dessas palavras a ele. Mas faltava-me o mínimo de maturidade. Só conseguia ficar babando, abobalhado, diante da lenda. Ironicamente, o espetáculo apresentado naquela noite foi um autêntico "teatrão" que, se não chegava a ser "opressor", também não tinha nada de oprimido. Não importa. Boal é Boal. A lenda continua.